Porra, que notícia triste…

Dercy Gonçalves (1907-2008)

Porra, que notícia triste…

Dercy Gonçalves (1907-2008)
Se você, assim como eu, tem medo e ao mesmo tempo é fascinado por aqueles contos de fadas no quais os personagens são animais realistas agindo como humanos, então o clipe de There There do Radiohead vai resgatar todos os seus medos e fascínios por aquele mundo. O que chamou a minha atenção foi sua estética de conto de fadas/ Tim Burton, mas sem nunca chegar perto de um Estranho Mundo de Jack. E se você acha o Thom Yorke um ser humano bizarro em clipes como Fake Plastic Trees, em There There ele confirma sua suspeita. Mas isso não deixa o clipe bizarro ou estranho, deixa-o fascinante.
Muitos donos de estabelecimento estão dizendo que a lei seca é anticonstitucional. Dizem que marginalizam todos os motoristas porque colocam no mesmo patamar o motorista irresponsável que mal consegue ficar de pé e o motorista que tomou um copo de vinho durante a refeição. Bem, as estátisticas dizem que os acidentes fatais diminuíram consideravelmente com a lei seca. Mas mesmo assim não me impediu de ver motoristas dirigindo imprudentemente por aí e flagar um motorista com uma latinha de cerveja na mão.
Se a lei seca nivela todos os motoristas ou não, isso não importa porque para a polícia parece que todos são culpados até que se prove contrário. Para a polícia, todos possuem uma arma em punho. E ainda tenho que ouvir “qual polícia do mundo que recebe tiros e não reage? E não me peçam para a polícia não reagir porque a sociedade não quer que a polícia leve tiro, e a sociedade também não quer levar tiro. (…) Se essas pessoas tivessem acatado a ordem do Estado e da PM de parar e deixar com que a polícia fizesse a abordagem do jeito que ela está acostumada a fazer, nada disso teria acontecido”. Sim, a sociedade não quer tomar um tiro. Muito menos vindo de um policial. E do jeito que as coisas andam, daqui a pouco a sociedade vai querer que a polícia leve uns tiros para ver se toma jeito. E ainda pergunto: qual bandido durante o ato criminoso vai parar porque a polícia mandou? Quer dizer que para inocentes não morrerem pelas mãos dos policiais, os bandidos terão que se entregar quando a polícia pedir?
E eu sei que existem bons policiais, assim como existem políticos fazendo o seu trabalho corretamente e motoristas que conseguem realmente dirigir responsavelmente depois de um copo de vinho. Mas todos são colocados no mesmo patamar por causa de alguns.
E atualizando aquela velha pergunta sobre jacarés, cobras e tigres: você está em um beco. Na sua frente tem um bandido. Atrás de você tem uam viatura. Para que lado você corre?
John Cage foi um músico avant-garde norte-americano que compunha músicas experimentais. Fez parte do Fluxus e andava por aí com o Duchamp e sua esposa. De todas as suas composições, a mais famosa e controversa é 4′33″ composta em 1952. Composição para qualquer instrumento ou conjunto de instrumentos, dividida em 3 movimentos, nas quais nenhuma nota é tocada. Essa peça foi apresentada pela primeira vez pelo pianista David Tudor, colaborador constante de Cage, em Nova York em 1952 como parte de um recital de piano contemporâneo. O vídeo aqui postado é a versão para orquestra.
Essa composição pode até ser considerada uma performance, mas não é. E como Cage e seus estudiosos dizem, se você prestar muita atenção, você consegue ouvir a música que nunca será igual mesmo em performances consecutivas ou tocadas pelo mesmo músico. Com essa composição, Cage queria dizer que o silêncio absoluto não existe, há muitos sons ambientes. E 4′33″ é formada por esses sons. Para mim, essa peça é a maneira radical de mostrar que o silêncio na música, o branco da pintura também possuem seus significados. E então, agora com essas informações, recomendo que você assista (novamente) a performance de 4′33″ e ouça todos os mais diversos sons existentes nessa peça. E reforço, a peça que você ouvirá é totalmente diferente da que eu ouvi e da que a audiência presente no concerto ouviu. E cada vez que você ouvir será diferente.
Voltando a escutar os cds do Matmos, resolvi fazer uma procura sobre a banda e suas estranhas técnicas para fazer música (que envolvem desde orgãos de animais até sintetizadores e softwares de última geração), dei de cara com o termo musique concrète. E como a curiosidade mata, resolvi arriscar a perder a vida e descobri esse nome: Pierre Schaeffer.

Schaeffer foi um compositor francês da década de 1940, pai do termo musique concrète. Ok. Mas o que é musique concréte? Simples! É fazer música de sons do “mundo real” ou sons que não são criados por instrumentos musicais. Ainda está difícil? Então, imagine a cacofonia do trânsito das cidades. Imagine você gravando esses sons e depois manipulando-os de uma maneira que formem uma música. Pronto! Você fez uma musique concréte. Mas hoje com computadores e softwares de última geração, você nem precisa gravar sons, eles já vêem prontos para uso. Na época de Pierre era diferente, os sons eram gravados em fitas eletromagnéticas (os famosos K7s) para depois serem manipulados para criar uma música, era trabalho braçal. E alguns dizem que ele foi o percursor do uso de samples em músicas. Não sabe o que é sample? Sample é um pedaço de uma música ou som que você utiliza para criar outra música. Os rappers sempre utilizam sample de algum outro sucesso musical para fazer outras músicas.
E se você acha essa tal de musique concréte estranha demais. Ela não é. Você já ouviu músicas utilizando as técnicas de musique concréte, mas não sabia. Frank Zappa, Beatles e Pink Floyd já utilizaram em suas músicas essas técnicas. E atualmente, muitos artistas de música eletrônica utilizam essas técnicas como o Matmos e Aphex Twin. Tudo bem que na era do computador, todas essas manipulações parecem ser fáceis de fazer, mas é bom lembrar que na época de Pierre os K7s eram a mais nova tecnologia disponível. E se você acha fácil gravar tudo e manipular, então veja alguma apresentação ao vivo. Não são somente computadores e fios espalhados pelo palco. Os objetos estão lá. O “mundo real” está lá. E talvez você perceba a musicalidade do som das cartas de baralho sendo embaralhadas dá próxima vez que você jogar truco com seus amigos.