Outro Filme Gay

13 Fevereiro, 2008

Há algum tempo atrás escrevi sobre um filme adolescente pastelão e graças à magia da internet, consegui assistí-lo e tenho que dizer: eu até compreendo o que os adolescentes vêem de tão engraçado em comédias adolescentes como American Pie. Eles simplesmente se identificam com os personagens e com as situações constrangedoras que passaram. E posso afirmar isso porque o Another Gay Movie é um retrato cômico de todas as situações que um adolescente gay já passou ou presenciou. Se Porky’s foi a comédia adolescente da geração de 80 e American Pie, a da geração 2000. Another Gay Movie são para os gays de todas as gerações. Tudo bem que a estética é totalmente hollywoodiana, mas quem se importa ultimamente com isso. Eu, sinceramente, estava cansado de ver filmes sobre gays somente no circuito alternativo e com uma estética alternativa. Queria muito ver um filme sobre adolescente com estética hollywoodiana em que o gay é retratado como mais um e não o diferente.

E claro que como todo filme adolescente desse gênero, o tema gira sobre o sexo e como perder a virgindade. Se para adolescentes héteros pode parecer complicado escolher se vai perder a virgindade em um prostíbulo ou com a namorada da escola, para adolescentes gays, a coisa pode ser um pouco mais complicada: além de decidir entre prostíbulos ou o colega da escola, temos que decidir se queremos ser versáteis, passivos, ativos ou whatever. Mas isso não os deixa em um eterno dilema, vamos tentar de tudo um pouco e ver no que vai dar. E geralmente, a diversão é de quem assiste. E se Porkys tinha suas cenas de nudez feminina, afinal era isso que importava para os adolescentes héteros, Another Gay Movie tem muitas cenas de nudez masculina, full frontal totally, baby. Afinal, é isso que importa para gente. Queremos ver o proibido, tórax super malhado já vemos desde a época do Rambo.

E por fim, se esse filme pode ser um útil instrumento para mães e pais, embora não iríamos querer assistir com eles esse filme e para muitos héteros por aí, o filme serve de lição para os gays também que se rotulam e dificilmente se misturam entre as tribos. Como num filme hollywoodiano onde a vida é perfeita, não existe o preconceito entre afeminados e machões, passivos ou ativos, negros ou brancos, gordos ou magros, velhos e jovens. Quem sabe um dia a fantasia vire realidade. E que várias mães tenham a mesma reação da simpática mãe de Nico na abertura do trailer.