Decadence avec elegance e duas óperas

       Fui ao centro de São Paulo, fazer uma visita guiada com os alunos do segundo ano da faculdade que me formei. O cheiro de naftalina não vinha só do professor, mas também da minha nostalgia. Olhar o centro desta vez foi diferente quando eu estava na faculdade. Talvez pelo fato de que na época eu ainda era rebelde e achava que tinha que ir contra todas as regras, então se o professor falasse assim, eu preferia assado.

       Talvez o amadurecimento com a idade tenha feito a visão mudar. Talvez pode ter sido saudades da época de faculdade. Mas o centro, hoje, me encheu com sua magia invisível e oculta.

 

       Foi bom olhar a cidade com calma, coisa que eu não fazia há tempos e ainda mais com essa onda de violência, porém o lado bom: o centro estava mais vazio hoje.Pude caminhar sossegado e ficar olhando para cima, vendo os prédios e as perspectivas que eles formam nas ruas. Foi como ser uma criança curiosa. Poder ver pequenos detalhes nas grandiosidades dos prédios foi uma renovação de energia, afinal entrei na faculdade de arquitetura com a intenção de aprender a fazer maquetes e plantas ilustrativas, sai dela numa relação de ódio e amor com a arquitetura. E agora que a faculdade é coisa do passado, é como se fosse saudades de um antigo amor cheio de conflitos.

       O centro de São Paulo, embora decadente, continua com sua beleza e magia. É como ser transportado para uma outra época. É o passado no presente e que poucas pessoas, levando em conta o número de habitantes da cidade, tem curiosidade de conhecer e aprender. E mesmo com tantas obras importantes, a menina dos olhos para mim, atualmente é o Teatro Municipal. De um lado desperta minha imaginação e deixo-me levar em pensamentos como seria freqüentar o Teatro em época antigas, de outro que com a sua volta a ativa, hospeda a origem de uma das minhas paixões: as óperas.

Teatro Municipal

       Quem me conhece sabe que sou um fanático por musicais e se eu gosto de algum musical, então você sabe que vai me ouvir falar somente sobre isso, vai ouvir comigo somente este musical. E as óperas não são nada mais que musicais com uma roupagem clássica. E você pode se pensar: “Ah, eu assisti uma ópera outro dia na tv e fiquei entediado.” Então eu te pergunto: “Algum show de rock que você tenha assistido na tv possui a mesma energia que assistir ao vivo?”. Com a ópera é a mesma coisa. Mesmo levando em consideração que sou emotivo e mesmo não entendo a língua, só de ouvir a música, acabo me envolvendo na ópera.

       Já conheci o backstage Teatro Municipal, já entrei em salas que não são abertas ao público, a não ser em visita guiadas (que eu recomendo). Andei pelos subterrâneos do Teatro. Subi em cima do palco onde são montados os cenários e a iluminação. Já pisei no palco no Teatro e digo que a visão do palco para a platéia é algo grandioso. E assim, a minha paixão iniciou.

       Agora estar no Teatro Municipal, esperando para assistir um espetáculo, é uma sensação quase indescritível. Sou tomado por uma ansiedade e timidez, quero viver a experiência de assistir uma ópera e a timidez vem a grandiosidade do Teatro. Na primeira ópera que assisti (por enquanto foram duas: Os Pescadores de Pérolas de Georges Bizet e Orfeu de Cláudio Monteverdi), quase chorei quando a orquestra tocou os primeiros acordes. A emoção de estar lá assistindo uma ópera ao vivo era demais. Mas me contive, afinal não vou fazer cena.

       E não pense que você vai ver algumas pessoas paradas cantando, com um cenário de fundo simples. Eles estão apostando muito e a produção das óperas são grandes. Claro que nada comparado à uma produção da Broadway como O Fantasma da Ópera (que também recomendo). São coisas mais simples mas que funcionam.

       Tenho muito a aprender sobre óperas, mas por enquanto eu só quero deixar-me envolver na linguagem universal da música. E se você nunca fui ao Teatro Municipal, vá e tente explorá-lo como uma criança curiosa. E se você nunca assistiu uma ópera, assista mesmo que for para chegar a conclusão que você odeia ópera, anyway a experiência será válida.

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Um comentário sobre “Decadence avec elegance e duas óperas

  1. A emoção do "ao vivo" é única mesmo.
    Eu ando muito querendo ver uma ópera. Tá faltando no meu repertório e eu sempre tive curiosidade, além de paixão pela música.

    Perdi a chance de ver "O Guarani" em Campinas…

    Aliás, quando vamos ver Rent?

    Abração!

    Vamos combinar sim, deixa estreiar e a gente combina certinho.

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