O lado bom da podridão

Já ouviu falar do João Francisco Benedan? Pois é, eu nunca ouvi, mas ouvi falar do João Gordo. E depois de um tempo “escondendo” finalmente tenho coragem de admitir: Eu admiro o João Gordo. Agora deixa eu tentar explicar o por quê. Outro dia eu vi uma maratona de João Gordo Visita, um programa básico de entrevistas onde ele vai na casa dos entrevistados e além de fazer perguntas, acaba fuçando a casa alheia. Nada demais no programa, mas a carisma do João Gordo me envolve e fora que é divertido ele batendo um papo super legal com pessoas que você talvez ache que ele odeio, por exemplo, Ronnie Von. Um programa totalmente diferente do Gordo Freak Show que não consigo e nunca conseguirei assistir, um programa de extremo mal gosto (não tanto quanto o da Luciana Gimenez).

João Gordo fala o que pensa e não tem medo do que fala. Pode ser odiado por muitos, mas ele continua fiel às suas crenças. Ele pode ter vendido a alma para o comercialismo, mas e daí? Melhor admitir que fez isso do que tentar manter a pose de punk que não vende a alma. A essência da atitude punk ainda continua: “Tô pouco me fudendo para o que você pensa.”

João Gordo não liga se ele é visto com seus amigos punks ou com o Ronnie Von, se é amigo e um camarada legal, ele trata muito bem.

E por que um gay como eu iria admirar um cara que fez comentários homofóbicos na sua vida? Eu não admiro pessoas porque elas gostam ou não de gays, mas sim pela personalidade da pessoa. Um cara que se diz amigos de gays e que não tenha uma boa personalidade, não teria minha admiração. E também porque João descobriu que gays são gente como qualquer um. Quer coisa melhor que alguém que admita que depois que teve contato com gays viu que não tem nada demais. Acho que é o sonho de todo ativista gay.

A drag queen Salete Campari também enfrentou João Gordo no impagável Gordo a Go-Go, na MTV.

Enfim, eu admiro e adoro o João Gordo. Ele pode ser podre e nojento, sarcástico e irônico, falar palavrão e falar a verdade na cara das pessoas, machucando-as, mas ele é desse jeito e não tem medo nem vergonha de ser assim (com exceção da vergonha de ser gordo, como ele próprio disse). E num mundo onde a falsidade reina, encontrar alguém que que fale na tua cara: “não gostei de você então vai se fuder” é uma raridade. E ele é uma prova viva que as pessoas podem mudar sem mudar sua personalidade.

Vida longa ao João!

Imagem: Terra

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3 comentários sobre “O lado bom da podridão

  1. Então…
    Acho coerente seu post. Concordo com seus motivos pra admirar o João Gordo. E devo admitir, eu também pensava EXATAMENTE como você.
    Até conhecer o cara.
    Parênteses: um exemplo perfeito para a minha sensação ao conhecê-lo é o dos professores. Esses dias, eu tava numa palestra e o prof. que tava palestrando era super simpático, brincalhão, claro, objetivo… Na frente de uns 300 alunos-espectadores. Depois da palestra, fui falar com o cara, perguntar algumas coisas e tal. O cara, além de sério e antipático (ok, ninguém precisa ser simpático com todo mundo), foi estúpido e pedante. C@R@LH*, O CARA NEM ME CONHECE! Pra que ser pedante? De repente, eu sou o próximo Nobel naquela área… e ele já conseguiu a minha repugnância.
    O João Gordo foi igual. Se ele simplesmente “corta” um zé ninguém, tudo bem. Mas pra quem tem um programa na Mtv, ele não pode sair xingando todo mundo. “Atravessar” alguém, ser inconveniente ou escrachado, tudo bem. Faz parte do “tipo” que ele faz. E pra mim, esse é o problema. Ele faz um “tipo” simpático com o Ronnie Von, com os gays etc. porque ganha audiência.
    Na real, ele é estúpido com qualquer um que não seja de duas categorias: amigos e caras que pagam bem.
    Quer dizer, isso é o que eu passei a achar depois de conhecer ele pessoalmente.

    Então…
    Não tenho dúvida que o João Gordo é um escroto, mas como figura pública e modelo para muitos adolescentes, ele soltar um “gay também é gente” é super importante para uma conscientização. Eu li algumas reportagens sobre ele e ele nunca disse que andava com gays ou que adorava gays, ele simplesmente falou: “deu uma maneirada em xingar gays porque vi que eles são gente”. Ponto final. Os gays sabem que são gente e odeiam todos os homofóbicos, se o João que poderia ser considerado um homofóbico falou isso, quantos adolescentes que poderiam tornar-se homofóbicos podem parar para pensar (ou talvez não): “Pô, se o João falou isso então tá certo.”
    Quanto ao Ronnie Von, até pensei mesmo em ganhar audiência no programa, mas assistindo o programa a conversa foi tão natural que não dava para ver uma questão de ibope. E outra, Ronnie Von não é figura na MTV, tem um programa chato no fim de noite e a maioria dos adolescentes talvez ouviram falar dele por causa das suas músicas bregas que seus pais ouviam. Você até pode falar em ganhar pontos com os pais dos adolescentes que assistem o Gordo Freak Show, mas então seria ibope para um só programa. Diferente de entrevistar a Sandy e o Júnior, aí sim eu teria 99,9% de certeza que ser marketing. Ainda mais com um novo disco nas prateleiras.
    Ser estúpido com um zé ninguém, isso ele admitiu. Ele odeia ser agarrado, rodeado ou abordado por pessoas. O esquema dele é quando estou afim, beleza (e acredito que muito pouco são as vezes que ele está afim).
    E enfim, se tudo é propaganda e dinheiro, ainda o admiro por crescer como ser humano e perceber que ser punk não colocaria comida na mesa para sua família. Responsabilidades que vêm com a idade. A preocupação com o próximo e com sua família. É um primeiro passo, pequeno mas um passo. Diferente do Johnny Rotten que se diz contra o sistema, mas aparentemente não faz nada para mudar.
    The opposite of war isn’t peace. It’s creation.

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