Naftalinas Nostálgicas

Talvez eu esteja nostálgicos esses dias. Será culpa do espírito de Natal? Mas onde está o espírito de Natal? Provavelmente fazendo compras por aí porque ele já deve ter se rendido ao consumismo desenfreado que rola este mês. Até eu vou entrar e preciso me planejar para não deixar para a última hora. Mas hoje a nostalgia tomou conta de mim. Foi uma sensação gostosa de caminhar na rua em horário de verão comendo comidas que engordam e não possuem nenhum valor nutritivo. Mas esse tempo já passou e tudo que ficou para trás, está lá trás e deveria me concentrar no presente. Mas está difícil ficar no presente quando bons momentos estão no passado. Talvez eu goste tanto de controle que eu prefiro ficar no controle de selecionar memórias do que tentar lidar com o presente incerto todo dia. E o futuro apenas chega.

Talvez eu deva tirar as bolinhas de naftalinas dos armários e colocar minha roupa para tomar um sol, tirar a poeira dos móveis e ver que eles possuem uma outra cor debaxio de toda poeira. Já limpei a janela do meu quarto, assim eu posso ver em technocolor as cores do mundo. Agora só falta fazer uma limpeza (antes do final do ano) e jogar fora tudo que não tem utilidade. Apesar que algumas coisas não serão jogadas fora e sim guardadas com carinho em algum lugar protegido do mundo. Talvez isso corte meu coração quando encontrá-las inesperadamente algum dia. Talvez eu ria de toda a situação. Ou talvez eu sorria um sorriso melancólico e saudoso lembrando os bons momentos que dificilmente serão apagados. Não serão substituídos por outros porque isso nunca acontecerá. Apenas outros bons momentos surgirão e ganharão mais importância do que esses de agora.

Sempre fiz promessas de final de ano, mas esse ano eu penso em não fazer nada disso. Não porque não funcionava, ao contrário, sempre eu via minha lista eu sempre tinha conquistado tudo o que desejava (tá bom, a maior parte). Mas esse ano eu não quero desejar. Não quero planejar como sempre eu planejei tudo (e que nem sempre acontecia do jeito que eu queria), tentarei apenas lidar com o que vier. Tentarei não ter medo de tentar, de amar e se machucar de novo, de amar e achar o amor da minha vida, de desistir e de persistir. Tentarei não colocar tudo na balança para chegar à conclusão que tinha chegado antes de colocar tudo na balança. Vou arriscar mais porque se eu perder, eu não perderei a oportunidade. E olha, aqui estou fazendo promessas para o ano que chega.

Estou preso ao passado porque foi no passado que eu fui feliz. E agora não sou, ou pode ser que a felicidade que eu sinto agora é diferente da que eu sentia antes e gostava mais da que ficou para trás. Tenho que aceitar a felicidade em sua forma pura e não esperar que ela tome a forma do passado. Se quero amar, devo escolher o amor e não a pessoa que eu amava. Se quero ter amigos, devo escolher a amizade e não os amigos que ficaram para trás. Alguns sumiram depois de uma fase, outros continuam, mas eles não são as mesmas pessoas que conheci há anos atrás, afinal as pessoas mudam e então devo escolher a amizade.

A vida trouxe novas pessoas, novas aventuras e novas novidades. Talvez eu tenha medo do novo (novamente meu gosto por controle). Talvez eu queria plastificar as pessoas para que elas sejam as mesmas para sempre, pois foram elas por quem eu me apaixonei, foram elas que conquistaram a minha amizade. Algumas até hoje conseguem me conquistar, outras se perderam nas mudanças que fiz. Como fotos que ficam perdidas no fundo de uma gaveta ou atrás do armário. Outras ganharam um moldura nova e estão em destaque na sala de estar.

Uma coisa eu não mudei: minha paixão por metáforas. Será que um dia conseguirei dizer o que tem que ser dito claramente, ou para sempre ficarei falando sobre a beleza de uma rosa ( não de todas as rosas, mas somente aquela que mora no meu planeta.)

E admito. Eis o culpado de toda essa naftalina nostálgica.

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