Arte e Som #1

Bem, já sabemos (ou pelo menos desconfiamos) que a Björk não é desse mundo. Ou melhor, a Islândia é um lugar a parte nesse mundo: o único lugar onde fogo e gelo se misturam. E também sabemos que sua músicas são um pop alternativo que, às vezes, é complicado de ouvir. E se as músicas possuem uma beleza alternativa, seus vídeos apenas acentuam essa beleza. E ela ainda flerta com a arte, mesmo sendo casada com o artista contemporâneo Matthew Barney, seus vídeos cada vez mais se parecem com obras de arte.

Estou escrevendo esse post por causa do seu último vídeo Declare Independence que, na minha visão, poderia passar facilmente por uma filmagem de uma performance artística e poderia muito bem ter seu vídeo passando em uma galeria de arte ao lado da peça onde foi encenada a performance. Pode ser que seja apenas uma grande viagem minha porque estou me ligando novamente à arte. Mas esse vídeo não é algo isolado na videografia dela, existem outros vídeos que não são transmitidos pela televisão, talvez por sua complexibilidade artística e um não-apelo comercial.

Declare Independence não é um vídeo cheio de efeitos especiais como alguns dos vídeos björkianos costumam ser, mas não é por isso que seu flerte com a arte e sua beleza artística não existam. E se, na maioria das vezes, é difícil interpretar o que realmente ela quis dizer com as imagens e suas letras, esse vídeo deixa um pouco mais claro o que ela quer dizer.

A música fala sobre declarar independência, manter suas tradições, ou seja, não sucumbir à globalização, entendendo globalização como ser o que os países de primeiro mundo querem que os países em desenvolvimento e subdesenvolvidos sejam. Mas também pode ser uma mensagem de independência pessoal. Escolha a sua.

O uniforme militar que todas as pessoas usam no vídeo logo remete a uma guerra e é acentuado com a presença do megafone que é um símbolo de pregação, de “ouça o que eu digo”. Porém tudo que é passado pelo megafone vem de um baixo que pode muito bem significar que sempre existem pessoas por trás de tudo ou que quem fala/prega não está sozinho. E tudo isso é absorvido pelas mentes de quem ouve. E então percebemos que tudo o que é dito é sempre a mesma coisa, apenas com cores diferentes, versões diferentes. E junto das palavras faladas estão as palavras escritas que também podem ser interpretadas como gráficos de guerras. E finalmente o vídeo acaba com um pingo de tinta na tela e podemos claramente entender, por causa desse clichê cinematográfico, que a tinta embora verde, refere-se ao sangue derramado durante as guerras.

Há algum tempo, os vídeos estão sendo uma maneira de expressão artística, porém a maioria possue o seu apelo comercial e são engolidas pela mídia. Os vídeo da Björk não possuem essa apelo comercial e, às vezes, são até intelectuais demais e talvez por isso sejam encarados como um flerte com obras de arte. Afinal, vivemos em um mundo onde a arte é elitizada.

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s