Orimoto com Toast

Poucas pessoas podem se dar o luxo de vagabundear, quero dizer, de fazer uma caminhada cultural pela Paulista em plena terça-feira. Agradeço ser uma dessas pessoas temporariamente sortudas. Se você é uma dessas pessoas, aproveite e vá para o MASP ver a exposição “O convívio social aos olhos de Tatsumi Orimoto”, artista contemporâneo japonês. Você tem até abril para fazer isso. E é melhor ir com uma ótima companhia.

Tatsumi Orimoto

Como toda arte contemporânea, o primeiro olhar é de estranheza, mas depois de tentar em vão encontrar uma interpretação para as obras de Orimoto, desisti e apenas curti as imagens. A interpretação e entendimento vêem depois, depois que a idéia amadurecer na caixola. Mas a caixola já está funcionando a toda para tentar entender ou não entender a arte de Orimoto.

A mãe de Orimoto (ao centro) sofre de alzheimer e é a personagem principal dessa exposição

O tema dessa exposição é o convívio social e sua personagem principal é a mãe do artista que sofre de Alzheimer e desse conflito de idéias surgem imagens belas e ternas e, às vezes, tristes. Pesquisando um pouco sobre a doença, encontrei o seguinte tópico sobre a comunicação:

“A linguagem é a base universal da comunicação entre pessoas que se comunicam basicamente por perguntas e respostas, estabelecendo assim um entendimento.

Com o paciente, entretanto, para que se estabeleça uma comunicação eficiente é necessário também o exercício constante da criatividade. Por meio de artifícios, por vezes extremamente simples, pode-se atingir um bom nível de entendimento, estabelecendo um verdadeiro dialeto entre o paciente, seu estranho e particular mundo e a realidade.

Comunicar-se com o paciente é uma tarefa difícil, porém se alcançarmos um bom nível de entendimento com ele, boa parte de suas necessidades poderão ser atendidas com relativa facilidade. O sucesso dessa empreitada irá, além de favorecer substancialmente o convívio, refletir positivamente na melhoria da sua qualidade de vida.”

(AlzheimerMed)

E eis que a primeira peça da exposição surge: talvez Orimoto além de homenagear sua mãe com suas obras, estava dando uma chance de sua mãe também se expressar criativamente, ajudando assim no seu tratamento com a doença. Colocar um pneu no pescoço de uma senhora que sofre de Alzheimer pode parecer ridículo ou uma agressão, mas eu vejo como um jeito da pessoa usar a criatividade para se adaptar ao ambiente. Claro, um pneu pode não fazer diferença, mas nas devidas proporções, seria como ficar cego de um dia para o outro: a adaptação é necessária.

E se o tema é o convívio social e a base para o convívio social é a comunicação, Orimoto nada mais faz do que registrar sua comunicação com sua mãe, colocando-a em situações inusitadas ou simplesmente cotidianas.

Orimoto e sua mãe

Arte é comunicação. O inverso é verdadeiro também. Orimoto apenas registrou uma das milhares de formas de comunicação entre as pessoas. Talvez tudo isso que tenho escrito e pensando venha a cair por terra, pois como disse a idéia ainda precisa amadurecer na caixola. E essas são as primeiras impressões.

Quer saber mais sobre o Mal de Alzheimer?

Quer saber mais sobre a exposição de Tatsumi Orimoto no MASP?

Imagens – Art Mama (In the big box), 1997. Tire Tube Communication – Mama and Neighbors, 1998. Fotografia da série “Art Mama+Son”, 2005.

P.S. – Querida amiga, muito obrigado por me levar nessa caminhada cultural e despertar novamente minha paixão por arte e por pensar arte.

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Um comentário sobre “Orimoto com Toast

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