Gaijin ou Nihonjin?

Um século. Claro que não dá para comparar com os 500 anos que o Brasil tem, mas há um século meu bisavô e meu avô pisavam nesse solo tropical. Há algum tempo tento resgatar a história da minha família e agora com as comemorações do centenário fica mais fácil porque todos só falam nisso. Não cheguei a conhecer meu bisavó, mas o sentimento de parentesco surgiu quando eu vi o nome dele na telinha do computador na exposição do Banco Real, que possui um banco de dados com as informações de partida e chegada dos imigrantes japoneses.

Uma emoção tomou conta de mim ao ver os nomes dos meus avôs e avós, dos meus bisavôs e bisavós. Uma emoção de saber que eu tenho uma história. Tenho um nome para carregar. E por que não, também passar todas as manias e tradições que a minha família possui. Nunca conheci meus bisavós e só conheci o meu avô paterno, que eu não tive muita convivência, mas o pouco que eu convivi, eu tenho guardado na memória e embora as pessoas digam que ainda sou jovem, eu sinto uma responsabilidade passar essas memórias para a nova geração da minha família para que elas não desapareçam quando eu morrer. A única coisa que me entristece em lembrar do meu avô é que eu descobri que eu tinha uma completa afinidade com ele muito depois que ele se foi. Ele faleceu quando eu tinha oito anos. Eu adorava ter a presença dele, mas naquela época eu não sabia ainda o que era afinidade. Fico pensando se ele ainda estivesse vivo quantas histórias ele teria para me contar.

E como toda a história de uma família japonesa, a terceira geração fez o caminho inverso. E foram com o mesmo objetivo que nossos avós: trabalhar muito, ajuntar um dinheiro e voltar para o Brasil. Mas também como nossos avós, eles resolveram ficar por lá mesmo. Estão casados e tendo filhos. Será que a sexta geração resolverá voltar para o Brasil?

E para fechar esse post, falo novamente sobre o limbo de identidade que alguns japoneses podem sentir. Embora na certidão de nascimento esteja escrito ‘brasileiro’, alguns se sentem japoneses aqui no Brasil, mas no Japão eles serão brasileiros. Se sofremos algum preconceito aqui por sermos descendentes de japoneses, sofremos também algum preconceito lá por sermos brasileiros. Eu me sinto assim. Às vezes, eu acho que meu jeito é muito japonês para os padrões brasileiros, mas ao mesmo tempo eu acho que meu jeito é muito brasileiro para os padrões japoneses. Sou os dois ou sou nenhum? Mas fico feliz de sentir o orgulho de ser japonês e de ser brasileiro.

E você quiser saber mais sobre a imigração japonesa, vá visitar as milhares de exposições que temos na cidade. E recomendo assistir o filme da Tizuka Yamazaki: Gaijin – Ama-me como sou. Releve as atuações e se concentre apenas na história e verá a história de quase todas as famílias japonesas aqui no Brasil.

Imagem gentilmente cedida por Charo.

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