Replicante “de arte”

Depois de anos e anos vendo apenas suas obras em livros, finalmente tenho a oportunidade de ver ao vivo as obras de Marcel Duchamp (1887-1968). Bem, pelo menos, as réplicas. Pois muita coisa se perdeu e só poderíamos ter uma exposição através de réplicas. E como sempre digo, vá com uma amiga artista nessa exposições. É sempre mais divertido e mais educativo.

Mas algo continua martelando na minha cabeça. Vi réplicas da obra de Duchamp. Isso é a mesma coisa que ver a obra que nasceu das mãos do artista? O conceito que nasceu na cabeça do artista continua lá, isso é fato. Mas a mão daquele que fez a réplica, é diferente da mão do artista. Duas pessoas não possuem a mesma letra. Nem a mesma pessoa faz duas letras iguais. Será que ver uma réplica é como ver as fotos de um livro?

Detalhe de Fonte.

Fiquei emocionado de, finalmente, ver a Fonte ao vivo, mas admito que fiquei um pouco decepcionado ao ver a palavra réplica no título. Palavra que se repetia em quase todas as obras. Será que a exposição deveria ser atribuída ao Duchamp ou deveria ser uma homenagem ao Duchamp. No subtítulo da exposição, fica subentendido uma homenagem. Então, acho que não posso me sentir enganado por pensar que veria obras originais, ainda mais porque muita coisa foi para o lixo. Afinal, Duchamp fez uma reviravolta no conceito de obra de arte. E muitas pessoas não conseguiam entender a arte que Duchamp fazia. E como diz a história, até sua irmã jogou obra de arte no lixo.

E no turbilhão no meu cérebro, acho que utilizar réplicas numa exposição de Duchamp tem a ver com o conceito de arte que ele queria expressar.

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2 comentários sobre “Replicante “de arte”

  1. Acho que sim. Acho que o sentimento de ser “enganado” seria maior se eu visse uma réplica de uma obra renascentista. Acho que uma exposição para se apreciar somente (se é que existe uma assim) não deve ser feita de réplicas. Uma exposição para se pensar (acho que todas deveriam ser assim) até pode ter réplicas. Acho que tudo se resume ao que as pessoas especializadas decidem se sua arte é para pensar ou para apreciar.

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