Cotidiano #1 – Livros

Andar de carro está cada vez mais raro para mim. Fico estressado, chego cansado no trabalho e mais cansado ainda no final do dia em casa. Pode não ser uma maravilha, mas agora estou me locomovendo apenas por transporte público. Pode haver um pouco de aperto e empurrões, mas no final do mês, meu bolso agradece.

Enfim, como tenho andado muito de trem e metrô, tenho lido mais do que eu costumava quando eu dirigia carro. E como sou curioso (a curiosidade matou o gato), tenho ficado de olho no que as pessoas estão lendo.

Livros de como ser um empresário bem sucedido. Romance vampirescos. Suspense. Apostila de curso. Manual de trânsito. Livros em inglês. Livros eletrônicos. Livros infantis. Revista de moda. Revista de música. O jornalzinho distribuído gratuitamente. Livro do padre cantor. Livros espíritas. Livros sobre a bolsa de valores. Biografia do Steve Jobs (R.I.P.). Só alguns exemplos que tenho encontrado nos vagões de São Paulo.

E fico pensando, há tanto incentivo para que se leia. E de fato, as pessoas parecem estar lendo mais. São leituras de qualidade. Isso eu não posso afirmar, mas há leitura. Isso me faz questionar, devemos dar às pessoas uma leitura de qualidade? Devemos fazer com elas leiam com qualidade ou devemos fazer apenas com que elas leiam, exercitem a leitura? Realmente fico aqui pensando com meus botões…

E dessa pequena lista acima, algumas combinações foram, no mínimo, inusitadas. Por exemplo, uma senhora lendo esses romance vampirescos. Ou um típico “mano”lendo um livro espírita. Isso apenas provou que realmente não se pode julgar um livro pela capa.

Mas entre essas combinações, a que mais me chamou a atenção foi o Manual de trânsito. O leitor: um homem aparentando estar na casa dos 30. Se eu fosse julgá-lo por sua capa, eu diria que ele trabalhava em uma obra. A roupa surrada e a mochila velha. De lá de dentro, ele tirou um livrinho de manual de trânsito todo amassado e com algumas folhas quase soltas da espiral. Abriu o livro e se concentrou na leitura. Não parecia entendiado nem obrigado a ler.

E o que passou na minha cabeça no momento foi que aquele manual de trânsito transportava-o para um lugar especial assim como um romance consegue transportar o seu leitor. Mas, ao invés de lugares espirituais, fantásticos ou sombrios, aquele manual parecia transportá-lo para o dia que ele conseguisse tirar sua carteira de motorista, para o dia que ele comprasse um carro e teria o conforto de andar no seu carro e não mais no transporte público.

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