Cotidiano #6 – Hospitais

Outro dia fui acompanhar um grande amigo para fazer exames no hospital. Tirando as filas e esperas longas que me deixam mal humorado, quando ele entrou na sala para fazer o exame, eu dei a minha escapulida para fumar na rua. E lá fui caminhar pelo gigantesco complexo hospitalar até chegar na rua. Muita gente caminhando por aqueles corredores. Pessoas rindo. Pessoas quietas. É um misto de sentimentos incrível. É quase como o misto de sentimento que acontece num velório.

Mas algo me chamou a atenção no meio de todo esse barulho e silêncio: duas senhoras que conversavam sentadas num banco. Durante a minha passagem diante delas, eu apenas consegui ouvir um pedaço da conversa: “A gente não estava orando pra Deus. Depois que a gente começou a orar, ele melhorou […]”. É estranho como nessas horas (nas difíceis), a maioria das pessoas acaba recorrendo à essa força superior, mesmo aqueles que não acreditam muito ou não são tão religiosos.

Não sei como explicar nem sei se existe uma explicação. Talvez esse sentimento de recorrer à uma força superior esteja tão enraizado nas nossas mentes que quando todo o raciocínio falha, essa é a nossa única opção. Talvez quando não temos conhecimento do assunto, pedimos para alguém intervir. E esse alguém que sabe de tudo e pode tudo é Deus/Buda/Jesus (você escolhe o nome). E eu me pergunto: será que os médicos quando veem seus pacientes em um péssimo estado pedem para Deus os ajudar? Claro que não, afinal, eles possuem (ou esperamos que possuam) o conhecimento para saber o que fazer e mudar o estado clínico de seus pacientes. E com toda esse mito que os médicos são pessoas frias, eu pergunto: quando o paciente morre, o médico pede/deseja que aquela pessoa esteja num lugar melhor? Eu sempre tive a impressão que o médico fica mal com a morte de seu paciente, não por causa da ligação que possa existir de ser humano para outro, mas sim por causa do sentimento de não alcançar o objetivo.

Enfim, orando ou não orando, as pessoas têm que acreditar em algo. E como eu acredito: desde que não esteja fazendo mal a ninguém nem impondo suas ideais e vontades, eu não vejo problemas.

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