Madonna me ensinou a assobiar…

E ontem foi o aniversário da Madonna. Cinquenta e quatro anos de vida. Trinta de carreira. E vinte e poucos me influenciando.

Não. Não é uma foto atual.

Tudo começou quando eu tinha os meus 11/12 anos de idade. E com uma transição radical, fui de Trem da Alegria/Xuxa/Angélica à Madonna. Meu primeiro disco foi o Like a Virgin e embora, hoje em dia, eu adore frases ambíguas de conotação sexual, na época eu não entendia quando cantava junto Touched for the very first time. Ouvia o CD sem parar. Logo em seguida veio o True Blue e junto a primeira coisa que a Tia me ensinou: inglês. Pedia para meus pais comprarem aquelas revistas de letras traduzidas (alguém lembra disso?) e lá, eu comecei a entender o que a Tia cantava. E as músicas que não entravam na edição eram traduzidas por um adolescente engatinhando na língua e, às vezes, as frases não faziam muito sentido. Mas e daí? Outra coisa que aprendi com esse disco foi assobiar. Todos os meus primos tiravam sarro de mim porque eu não sabia assobiar. E então um belo dia, cantando Open you heart, durante um verso do refrão, um assobio saiu. E então, aprendi a assobiar.

Estranhamente, meu maior desejo não era ser o menino para beijá-la, mas ser o menino para dançar com ela…Eu já era viado nessa época e não sabia…

Então, veio o Like a Prayer e toda a repercurssão que houve por causa do clipe foi ignorada por mim porque, na verdade, eu não via nada demais em um santo negro ou ela beijando-o. Todo aquele tema religioso passava desapercebido por mim. Muita inocência ou ignorância da minha parte? Não sei.

Cruzes em chamas? Que cruzes? Do que você está falando?
Via: allaboutmadonna.com

Nesse meio tempo, eu descobri o primeiro album dela e adorava todas aquelas músicas de quase 7 minutos de duração. Então foi a vez do You can dance com todos aqueles remixes e músicas de quase 9 minutos de duração. Um escândalo! E então foi a vez do Dick Tracy. Filme estrelado por ela. Um bom filme? Acho que não, mas quem se importa, era ela no filme! Rapidamente descobri Procurando Susan Desesperadamente. Mas ela era meio coadjuvante. E então surgiu Supresa de Shangai: filme estrelado por ela e o marido na época Sean Penn. Putz, um filme estrelado pela Madonna. Devia ser o máximo. Mero engano. Assisti por assistir, não me marcou e não lembro de nenhuma cena daquele filme, exceto uma que ela cai do barco e nada mais. E Quem é essa garota? divertido, mas o que marcou foi aquele cabelo gigante platinado e a puma. Não me pergunte qual é a história do filme porque eu não lembro.

E então, boom! Vogue! O que era aquilo? O que era aqueles movimentos? O que foi aquela apresentação no VMA’s? E caiu nas minhas mãos a turnê do Blonde Ambition e minha vida começou a mudar. Ou melhor, comecei a ficar obcecado por tudo que ela fazia. Decorei todos os movimentos daquele show. Sabia cada respiração e cada fala dela. Sabia cada improviso que ela fazia. Montei um microfone igual ao dela. E foi a vez de descobrir as apresentações ao vivo. Ou melhor, as 3 turnês que ela tinha feito até então. E eu ficava fascinado com toda aquela apresentação.

E essa era a minha parte favorita! Eu me divertia tanto com as duas querendo passar a perna na Madonna.

Nesse meio tempo eu já tinha lido tudo quanto era biografia dela, tudo que saia sobre ela. Para mim tudo era uma festa divertida, música divertidas, clipes divertidos e maravilhosos. Então ela lançou Na cama com Madonna e fui ao delírio, pois agora teria acesso aos bastidores e as coisas foram mudando. O que ela fez com a garrafa? Ah, sexo oral. O que é sexo oral? Na época eu não tinha acesso ao Google nem a Wikipedia. Eu era um rato de biblioteca e lá descobri muitas coisas até como fazer um boneco voodoo. Ah, ela se masturba durante o show. Ah, entendi todas aqueles movimentos é de masturbação. Ah tá. Nessa época assisti Calígula pela primeira vez e descobri revistas pornográficas do meu primo e, inconscientemente, eu apreciava mais o corpo masculino do que o feminino.

E veio o The Immaculate Collection que pedi para minha irmã de Natal. E ouvi tanto o CD que chegou a furar. E na minha época (nossa, que frase de velho) assistia a MTV (nada de Youtube ou Internet) e iam lançar o clipe do Justify my love, proibido. Sua premiere ia ser a meia-noite. E lá ficava eu acordado até a meia-noite para ver o clipe em primeira mão. Assisti ao clipe. Fiquei confuso. Fiquei fascinado. Aquilo era um homem ou uma mulher. Tony Ward povoou a minha imaginação. Era quase um filme pornô ou pelo menos eu achava que era. E nesse meio tempo descobri que gostava de pinto, de sexo e de provocar as pessoas.

E veio Erotica e o livro Sex. Comprei todas as revistas que falavam que tinham fotos do livro e finalmente encontrei um exemplar numa livraria de um shopping. Pedi, implorei ao meu pai para dar o dinheiro para comprar o livro. E hoje eu tenho meu exemplar. Comprei o CD na semana de lançamento e ouvi pela primeira. Um disco diferente. Um disco mais adulto. Fiquei novamente acordado para a premiere do clipe. E na última página do livro está a frase que me acompanha até hoje: As pessoas não tem o que elas querem porque não pedem. E junto com o The Girlie Show descobri que sexo não é sujo. Ser gay não é errado. Não posso ter medo de me expressar.

E veio Bedtime Stories e meu mundo novamente. Que disco é esse? Que tipo de sonoridade é essa? Cadê o escândalo? Cadê todas as conotações sexuais? Cadê o sexo? E minha música preferida desse disco é Human Nature.

…porque até hoje eu me diverto com as ironias, caras e bocas que ela faz nesse clipe.

E junto desse disco apliquei uma das lições que ela me ensinou nesse tempo: me expressar. Não amo de paixão esse disco. Odeio a música Don’t StopSurvival é um saco. Adoro o baixo do I’d rather be your lover. E não amo de paixão o clipe e a música de Take a Bow. E veio Evita. Legalzinho. Fui assistir duas vezes depois do cursinho porque o cinema ainda era barato e eu pagava meia entrada. E o que mais me marcou foi a sessão que havia um grupo de senhoras sentadas ao meu lado e elas choraram quando Eva Peron morre.

E veio Ray of Light que também não amo de paixão. Enfim, Madonna me ensinou a me expressar e aprendi que nem tudo que ela faz é perfeito e maravilhoso e com essa visão eu revisitei os álbuns anteriores e descobri a genialidade e a tosquice deles. E vieram mais discos nesse meio tempo, alguns divertidos, outros intragáveis, mas sempre com a curiosidade do que ela vai fazer em seguida. Se ela colocou no mercado algum álbum genial do começo ao fim, eu ainda não descobri essa genialidade. Gosto de muitas coisas que ela faz, mas há muitas que eu não concordo (ou simplesmente não entendo).

E se antigamente, ela me fascinava por sempre trazer algo inovador para sua música, de um tempo para cá, ela vem me fascinando com a tecnologia que ela coloca em seus shows. O palco do Confessions Tour me deixou boquiaberto. O telão redondo e vazado do Sticky & Sweet Tour me fez arrepender que não ter ido na apresentação brasileira. A apresentação do Super Bowl e suas projeções, sem falar na entrada a là Cleópatra. E agora o MDNA Tour com todas suas projeções e o palco com milhares de plataformas me deixa com o gostinho de querer ir no show em dezembro. E porque uma vez na vida eu tenho que ouvir uma apresentação de Like a Virgin, Open your heartVogue. Talvez do Like a Prayer também, mas não é uma das minhas músicas preferidas. E do Express Yourself, mas ela vestida de cheerleader não me convence. Whatta hell she was thinking?

E o que a Madonna me ensina ultimamente? Não muita coisa. Com esse último álbum, ela me ensinou que ela está insistindo nessa coisas de colocar artistas novatos em seus discos para tentar alcançar o público mais jovem. Acho que deve estar dando certo, se ela está insistindo… Ela me ensinou que ela pode estragar uma música que eu amei de paixão do CD, tocando somente guitarra e tentando cantar na apresentação ao vivo. E que a música mais legal do disco não vai ter clipe nem aparece no show. E que o mundo pop está tão saturado e não criativo que quando ela resolveu revisitar suas origens a coisa deu mais ou menos certo.

Enfim, parabéns atrasado Madonna. Eu ainda continuo sendo seu fã e sempre vou parar para ouvir o que você tem a dizer. Não sei se vou concordar ou mandar você tomar no cú, mas vou deixar você se expressar antes de expressar a minha opinião.

Essa é uma foto atual.
Mas vou fechar o post com uma foto mais antiga.

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