Sucker Punch

Dias atrás, finalmente (e um pouco muito atrasado), assisti Sucker Punch. Traduzido para o Brasil como Mundo Surreal.

O filme é o sonho/fantasia de todo nerd. Garotas em roupas sensuais, espadas samurais, naves, dragões, muita luta, bullet time e tudo com cara de videogame.

A história gira em torno de uma garota com o apelido de Baby Doll que após a morte da mãe é vítima, junto com a irmã mais nova, de abusos sexuais do padrasto. Tudo isso culmina na morte acidental da irmã. Seu padrasto a culpa pela morte da irmã e a interna num sanatório. Ele faz um acordo com o enfermeiro chefe para que ela passe por uma lobotomia e esqueça de tudo. E então, ela tem 5 dias para fugir daquele sanatório. E aí, começa a viagem e o videogame. Para fugir, ela precisa de 5 objetos e para cada objeto, ela passa por uma “fase”. No final de cada uma, há um chefão que ela precisa eliminar para conseguir tal objeto. Ela tem ajuda de mais 4 garotas que também querem fugir daquele lugar. É tudo muito bonito, cheio de CG, mas chega a ficar cansativo/repetitivo. E para mim tudo isso culmina na cena com o maior número de bullet times per frame que eu já vi num filme. É bullet time para tudo!

E além da estética nerd, o que me chamou a atenção foi a protagonista. Um rostinho familiar que me incomodava. E vendo os créditos do filme, você descobre que a atriz é Emily Browning. Talvez mais conhecida pelo seu papel em Desaventuras em série, filme com Jim Carrey. 

Emily Browning em Desaventuras em Série de 2004.
Emily Browning em Sucker Punch de 2011.
Que upgrade, hein?

E ok. Você leu tudo até aqui. Viu um pedaço do trailer, um pedaço do outro vídeo, viu as fotinhos acima e você me pergunta: para que um post longo até aqui. Bem, depois que o fascínio se foi após o término do filme, uma ficha caiu.

[Spoilers ahead] O filme não passa de uma alucinação da protagonista dentro de um ambiente hostil e amedrontador. Assim como a Selma em Dançando no Escuro, Baby Doll liga sua defesa mental assim que pisa no sanatório, pois esse vira um bordel num piscar de olhos. O enfermeiro chefe é o dono do bordel. A psicóloga é a madame que toma conta das meninas e as ensina dançar. E as pacientes são as meninas do bordel. E dentro desse ambiente menos hostil (ou mais glamoroso que um sanatório) que Baby Doll tem suas alucinações a là videogames. As únicas cenas que temos dentro da realidade são sua chegada ao sanatório e sua lobotomia. No meio disso tudo, é a defesa mental dela.

Nunca estive num sanatório, mas tenho certeza que não tem nada de glamoroso. E com sua estética burlesque e de videogames, você esquece onde você realmente está: em um sanatório. E digo que durante a cena de lobotomia, eu ainda achava que estava no mundo fantástico criado pela mente de Baby Doll achando que tudo daria certo. Mas não. É um game over porque ela não consegue escapar, passa por uma lobotomia e, provavelmente, esquece de tudo e ficará em um estado meio vegetativo pelo resto de sua vida. Mas também não é de tudo um final infeliz, pois descobrem os esquemas que o enfermeiro chefe faz para que as garotas passem por lobotomia e ele é preso. Fim de filme. Porém eles não deixam você digerir essa informação, logo começam os créditos na tela e ao fundo uma apresentação burlesque das meninas do bordel. Ou seja, rapidamente, você é tirado novamente da realidade e da verdade nua e crua.

Enfim, é um filme com um lado extremamente escuro e sombrio se você tirar todas as luzes coloridas e o glamour que ele impõe aos seus olhos. E assim como a protagonista não consegue se permitir ver a realidade como ela realmente é, ao espectador também não é permitido. E você pode se pegar pensando: qual a contraparte real de todas as suas ações nas suas fantasias.

E se você acha tudo que falei sobre o filme ter um lado sombrio é bobagem. De brinde, um esqueminha de como é feito uma lobotomia.

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