Clube dos cinco

Há vinte anos atrás assisti o filme Clube dos cinco (The breakfast club) pela primeira vez e um fascínio tomou conta de mim.

Há vinte minutos atrás assisti o filme novamente e, é claro, um fascínio tomou conta de mim novamente. Mas não o mesmo fascínio ao assistir com olhos de adolescente, mas sim o fascínio de perceber como as peças parecem se encaixar. Difícil encontrar alguém que não tenha assistido esse clássico da década de 80 do diretor John Hughes, mas caso você não tenha assistido, aqui vai um pequeno (bem pequeno mesmo) resumo do filme: cinco adolescentes passam o sábado inteiro de castigo no colégio, cada um por seu motivo, e têm que escrever uma redação dizendo quem são eles. O filme pega cinco esteréotipos dos colégios norte-americanos: a patricinha, o atleta, o nerd, o deliquente e a invisível/esquisita. Coloca todos eles na mesma sala e espera para ver o que acontece. Quase um reality show. Com tantas características diferentes, é de se esperar que haja conflito, mas no final todos percebem que eles são apenas adolescentes com os mesmos problemas e angústias: problemas com os pais, a pressão dos amigos e a pressão de manter a imagem de cada um.

Não sei explicar direito o fascínio que esse filme me passa, mas ao meu ver, uma amizade pode nascer entre diferentes pessoas. Ou quando as pessoas não precisam se preocupar em manter a imagem para seus amigos, eles passam a ser elas mesmas, ou no caso, adolescentes com seus medos e angústias. E quem melhor para entender um adolescente do que um adolescente. O mundo adulto é retratado pelas histórias das relações com seus pais, pelo professor que está cuidando deles e pelo faxineiro.

E agora, assistindo com os olhos de um trintão, percebo que eu era/sou o nerd. Queria ser popular como a patricinha. Sentia atração pelo corpo do atleta. Sentia uma certa atração pela atitude rebelde do delinquente. E, de certa forma, era tão estranho quanto a esquisita do grupo. Enfim, meus medos e desejos estavam sendo retratados naquele filme. Como não se identificar com os personagens?

Será que hoje esse filme faria tanto sucesso quanto fez com os adolescentes da década de 80? Acho que não. Como uma pessoa que foi um adolescente na década de 80, digo que os nossos valores eram outros. E o mundo era outro. Apenas uma coisa parece ser universal, a vontade de se encaixar em um grupo. Um filme como esse teria que ser readaptado para ser apresentado aos adolescentes de hoje. E, provavelmente, trintões como eu, acharia o filme ridículo que não faz jus ao original. E sempre pensaremos assim, pois consideramos filmes clássicos aqueles filmes que marcaram nossa vida como adolescentes.

Enfim, o Clube dos cinco também marca para mim uma transição de filmes de fantasia para um drama. Como se fosse uma transição da criança para o adulto. Quem diria que não haveria necessidade de criaturas fantásticas voando pela tela para prender minha atenção.

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