O que eu vou ser quando crescer?

I am here because when I was young, I wanted very badly to be a writer, I wanted to be a filmmaker, but I couldn’t find anyone like me in the world and it felt like my dreams were foreclosed simply because my gender was less typical than others. If I can be that person for someone else then the sacrifice of my private civic life may have value.

Com essas palavras a diretora Lana Wachowski terminou seu discurso de quase meia hora ao receber o prêmio de visibilidade de Human Rights Campaign (HRC Visibility Award). Após muito tempo sem ter uma vida pública, Lana decidiu se expor e aceitar o prêmio.

Para quem desconhece, sim Lana faz parte dos Irmãos Wachowski que dirigiu a trilogia MatrixV de vingança. E para quem ainda não sabe, Lana era Larry Wachowski antes da operação de mudança de sexo.  Houve um burburinho durante a transição em que Larry foi flagrado em fotos, mas nada fez muito barulho, provavelmente, por causa dos Wachowski serem reservados.

Lana durante o discurso ao receber o HRC Visibility Award em outubro de 2012.

E embora seja a escolha de cada um manter sua vida privada ou não, atos como de Lana são importantes para as pessoas como ela, que acham que estão sozinhas ou não podem fazer algo porque são diferentes da maioria.

Quando você é jovem, você quer conquistar o mundo e você precisa de um modelo em que se espelhar e ver que se tal pessoa conseguiu, você consegue também. E não importa se essa tal pessoa é seus pais, seus avós ou alguém famoso. Um jovem se espelha nesses modelos. Eu sou de uma época em que ser gay era ser mulherzinha, ter AIDS e era totalmente errado. E disse em outro post que a Madonna me ensinou que não era errado, não era nada demais, mas esqueci de mencionar um outro ídolo: um colega do ensino médio. Um cara super inteligente, viajado, educado e bonito. Ele sempre estava de bom humor, claro que ele tinha seus problemas com seus pais, mas ele nunca deixou de ser ele mesmo ou esconder que era gay. E claro que os outros alunos falavam dele pelas costas, mas ele não dava a mínima para isso.

E pelo que lembro, eu também sou de uma época em que o bullying era contra os nerds, pelo menos em sua maioria. Talvez por não ter a velocidade da informação na época, eu não sabia de casos de bullying por ser gay, diferente de hoje em que sempre ouvimos casos de jovens se suicidando porque não aguentam a pressão dos colegas na escola. E é então que, novamente, os ídolos entram em ação. Acredito que muitos desses jovens que acabam se suicidando não possuem uma boa relação familiar quanto à sua sexualidade e se sentem sozinhos no mundo. E o como um jovem se sente sabendo que é gay e que quer ser um boxeador quando crescer. Quem vai ser o modelo dele? Algum lutador que faz comentários homofóbicos? Isso pode pirar a cabeça de um jovem. Ou ele escolhe seguir o seu sonho e esconder sua verdadeira personalidade ou desiste de seus sonhos para ser ele mesmo.

Orlando Cruz é o primeiro boxeador gay na história. É o número quatro na categoria peso pena na Federação Mundial de Boxe. Ele se assumiu em começo de outubro de 2012.

Atualmente, há muitas figuras públicas saindo do armário e nas mais diversas áreas e não somente naquelas que se espera ter um gay. O jornalista norte-americano Anderson Cooper também se assumiu esse ano. E os mas diversos artistas, não necessariamente gays, apoiam campanhas contra o bullying de jovens. Uma das mais conhecidas é o It Gets Better em que pessoas comuns e famosos dão seu depoimento e dizem que tudo melhora depois.

Sempre melhora, mas o caminho até lá pode ser bem difícil e é preciso se identificar com a história de alguém, saber que alguém passou pelas mesmas dificuldades para acreditar.

A notícia é velha, mas li esses dias: o ator David Yost é gay. Ele é, mundialmente, famoso por interpretar o Ranger Azul na série Power Rangers. Yost disse que deixou o show porque era xingado no set. Mas o que poderia ser um alívio, foi apenas o começo de um pesadelo. Yost passou dois anos tentando deixar de ser gay numa igreja, teve um colapso nervoso, deu entrada em um hospital psiquiátrico no qual ficou cinco semanas e após sair morou no México por um ano. E até pensou em suicídio. Nas palavras dele:

It frustrated me that I hated myself on such a level that I couldn’t accept myself.

Melhora? Sim, melhora. Depois de tudo isso, Yost agora trabalha por trás das camêras como roterista, produtor etc. E o melhor de tudo, ele se aceitou.

David Yost, o Power Ranger Azul e seus colegas durante a premiere do filme Power Rangers.

Muitos famosos permanecem no armário por medo de perder bons papéis ou porque manchará sua imagem. Há rumores que o ator assumido Matt Boomer da série White Collar perdeu o papel de Superman porque era gay e não queriam  associar a palavra gay ao Superman. E assim, mais uma vez, a sociedade priva de mostrar aos jovens que mesmo sendo gay, você pode ser um super herói.

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