Enquanto isso no Japão…

Ontem me deparei com uma história, no mínimo, curiosa: uma das integrantes da banda japonesa AKB48, Minami Minegishi, 20 anos, apareceu com o cabelo raspado em um vídeo no Youtube pedindo desculpas por ter sido pega saindo da casa do namorado. Hein? Você nunca ouviu falar em AKB48? Se você não tiver problemas com agudos, aperta o play.

E só para você entender, o AKB48 é um girl band com 88 integrantes (isso mesmo, não digitei errado e você leu certo: oitenta e oito) entre adolescentes e jovens com seus vinte e poucos anos, e possui quatro frentes: Team A, Team K, Team B e Team 4. A banda é um fenômeno no Japão e, no conceito do criador, Yasushi Akimoto, é uma banda acessível que você sabe onde encontrar, já que não faz concertos ocasionais, e sim, possui um espaço próprio para se apresentar que permite que haja apresentações constantes no local e interação tête-à-tête com os fãs.

Se você conseguiu ver o clipe, deve ter percebido que a imagem que a banda tem é kawaii (as meninhas bonitinhas e fofinhas) junto com um certo apelo sexual (afinal, sexo vende). E por que Minami Minegishi teve que se desculpar por ter dormido na casa do namorado? Bem, se você entrar para a banda (que já não é fácil, pois é quase como entrar em uma empresa multinacional), você tem que seguir as regras da banda: ser bonitinha, manter essa imagem e não pode sair dos eixos. Se sair, você é expulsa da banda ou tem que se humilhar publicamente como a Minegishi. Ah, e não pode namorar (pelo menos, não publicamente – foi azar da Minami ter sido flagrada), pois é preciso manter a imagem de garota solteira para povoar a fantasia de seus fãs de um dia se tornar o namorado. Entendeu porque Minami Minegishi teve que raspar o cabelo e pedir desculpas publicamente? Não? Nem eu. Para mim é um caso extremo de desespero ou de abuso de poder.

Para mim, na verdade, é um novo tipo de geisha (por favor, não confundir geisha com prostituição, embora a linha seja tênue, são coisas diferentes). As meninas entretêm, possuem uma imagem a zelar e não podem namorar. Passam por uma época de treinamento e depois que passam da idade se tornam graduadas (que no meu ver significa ser despedida por ser muito velha). E assim como ser geisha é levado muito a sério, estar na AKB48 também é (a quantidade de dinheiro que gira em torno do cenário musical no Japão é motivo suficiente para levar um grupo pop em alta a sério). E Minami quebrou uma das regras e, como no Japão, tudo é regra, sim, eu acho que ela deva ser punida, mas com uma advertência ou, no caso de um empreendimento como a AKB48, ser “colocada na geladeira” por um tempo, como aconteceu. Não precisava se humilhar publicamente e isso levanta outros pensamentos: ela raspou o cabelo e postou um vídeo na página oficial por vontade própria? Se sim, então o criador permitiu. Ou pior, será que ela foi obrigada com ameaças de ser expulsa da banda, afinal uma das coisas que ela diz no vídeo é que não quer ser expulsa. Fãs radicais (afinal, loucos existem em todos os lugares e não só no Japão) queriam tirar o sangue de Minami por ter traído eles. Já os fãs normais, acharam um absurdo ter chegado a essas consequências.

E daí entra seu criador, Yasushi Akimoto que, embora eu tenha dito para não confundir geishas com prostituição, parece fazer o papel de cafetão aqui. Diferente das geishas que possuem uma “mãe”, a AKB48 tem uma figura masculina tomando conta do grupo. E qual a principal imagem que vem a cabeça quando você entra num estabelecimento cheio de meninas bonitinhas comandadas por um homem? Claro que não há sexo em si, mas o apelo sexual é gigante. É só você ver o clipe.

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vlcsnap-2010-07-28-23h09m17s10Claro que tudo isso já causa polêmica e deixa os japoneses furiosos com Akimoto, dizendo que ele incita o sexo e o homossexualismo com suas letras de duplo sentido e seus clipes. E, sinceramente, eu não vejo nenhum problema em vender uma imagem sexual, afinal sexo vende, porém o problema é que a faixa etária das integrantes da banda vai de 14 aos vinte e poucos. E é aí que o bicho pega. Imagine a Sandy e seu irmão no comecinho da carreira cantando alguma música bobinha e chiclete sobre comer biscoitos chamada “Comer cookie é bom”. Polêmica na certa!

E embora todas essas controvérsias que cercam a AKB48 e seu criador, ela continua fazendo sucesso e vai muito bem, obrigada.

E se achamos que boy/girls bands fabricadas tinham uma receita fixa, Akimoto mostrou que o Japão pode fazer maior (cada vez maior, já que além do AKB48, ele também criou a SKE48, SDN48, NMB48, JKT48, HKT48, TPE48, OJS48, SNH48, etc etc etc). Para que arriscar numa banda com cinco estereótipos, se você pode ter os cinco estereótipos mais 83 variações deles. E agora ele ganhou mais uma com a Minami, a garota que está arrependida por querer ter uma vida normal.

Eu acho que ela deveria aproveitar que raspou o cabelo e mandar o Akimoto tomar no cookie, fazer seu namorado montar uma banda de rock para ela e sair cantando “Comer cookie é bom”! Ou então fazer um vídeo amador com o namorado e trocar de carreira como algumas graduadas da AKB48 fizeram.

Bônus: esse aí é o Alan Shirahama, o namorado. Não é lá tudo isso, mas dá pro gasto.

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