A pressão de ser um casal perfeito

Essa semana, alguns tablóides noticiaram que o relacionamento de Neil Patrick Harris e David Burtka estava por fio. Uma pessoa próxima (sempre há uma pessoa próxima) disse que os dois tinham brigado feio e que nem estavam mais se falando. Neil desmentiu a notícia no Twitter dizendo que eles estavam numa boa. Verdade ou mentira, isso é o que dá ser um casal público.

Para quem não conhece, Neil Patrick Harris é o queridinho dos Estados Unidos. Faz um sucesso lá fora com o seriado How I Met Your Mother como um garanhão que pega todas as mulheres. E o interessante é que todos os adolescentes querem ser garanhão como ele e parece que a maioria ignora a informação de que ele é gay e vive junto com David Burtka. Para mim, é o clímax que ser gay não significa não fazer papéis heterossexuais e até papéis machistas (mas isso fica para outro post).

Via: Out Magazine
Via: Out Magazine

Enfim, se Neil e David estão passando por uma crise de verdade ou não, só eles sabem. Mas todos o bafáfá aconteceu porque os dois não são casados, na verdade, eles são noivos há muito tempo. E com essa notícia sobre a crise do relacionamento, veio a questão de estarem noivos há tanto tempo, afinal, na cabeça da maioria funciona assim: se estão apaixonados por tanto tempo, por que não se casam logo?

Peraí, gente! Estamos lutando pelo direito de casar e estamos conseguindo aos poucos vencer essa luta, mas só por isso devemos sair casando amanhã? Em certos aspectos, eu sou contra o casamento gay porque sei que haverá milhares de gays querendo casar porque querem ter um casamento. Sou a favor do casamento gay pelos seguintes motivos: o direito de compartilhar bens, de colocar o marido no plano de saúde como dependente, etc. Afinal, casar é dividir tudo desde a cama ao banheiro, desde a doença e a alegria. Se para heterossexuais, casar é um grande passo porque para os gays deveria ser diferente.

Hoje em dia, casar parece uma coisa simples, assim como divorciar. Vejo alguns casais que se casam e se separam como se comprassem um produto e depois resolvessem devolver para a loja. Talvez pela minha visão romântica, eu não consiga ver o casamento como algo tão simples. Querer se casar é decidir passar o resto da sua vida ao lado daquela pessoa, uma visão antiquada, admito. Enquanto alguns querem porque querem ter um casamento, outros apenas ajuntaram as escovas de dente e estão juntos há décadas, vivendo a rotina do que seria, na minha utopia, um casamento.

E é sempre essa pressão que a família, os amigos, a sociedade acaba impondo sobre os casais: estão muito tempo juntos, quando irão se casar? E com a possibilidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo, eu já fui questionado se iria me casar com meu companheiro. Eu quero me casar? Sim, eu quero. Estou preparado? Não sei.

Mas depois que você casa, toda essa pressão passa, certo? Certo! E surge outra: a pressão de ser o casal perfeito. E se vocês já eram o casal perfeito antes de casar, então depois do casamento…

Se você casou é porque você é feliz ao lado daquela pessoa e vice-versa. Mas todo o casal sabe que em um relacionamento nem tudo são flores. Ou citando Burtka sobre o ocorrido:

I don’t want people to think we’re a perfect couple. Nothing’s perfect. A relationship is work and it changes. And you go with the changes. It’s more good times than bad times, but it’s not always good. You have to overcome those issues and move on. We have a really great recipe for a wonderful relationship, but we don’t want to be the poster boys for gay relationships. We’re not trying to pretend that we are perfect. We’re just trying — in a good, positive, loving way — to live our lives.

Por isso que, exceto os casos em que é explícito o desgosto crescente um pelo outro, ficamos surpresos com a notícia do divórcio de um casal que achamos que eram eternos apaixonados. Sempre acabamos pensando: Nossa, mas eles se davam tão bem? Será que aconteceu alguma coisa entre os dois?

Talvez essa pressão de ser o casal perfeito seja culpa dos contos de fadas que, querendo ou não, tivemos contato na nossa infância. Aquela maldita frase que aparece depois da cena do casamento “e foram felizes para sempre” está impregnado na cabeça de todos e todos queremos nosso final feliz. Mas ninguém avisou que no meio do “felizes para sempre” teria crise e brigas.

Enfim, sabemos que podemos ser felizes para sempre mesmo com brigas e crises no meio do caminho, basta os dois quererem. Assim como é verdade que quando um não quer, dois não brigam; quando um não quer, dois não fazem o relacionamento dar certo.

Talvez se tivessemos contato com os contos de fadas originais (leia-se sem censura), talvez não teríamos essa pressão de querer ser felizes para sempre e seríamos mais felizes em viver os nossos relacionamentos.

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