Um pensamento sobre a amizade.

Quando uma cantora deu declarações homofóbicas, muitas outras pseudo celebridades não conseguiram se conter e saíram em defesa dos gays (ou na verdade, tentando conseguir mais minutos de fama) e acabaram com o tiro saindo pela culatra. Algumas disseram que possuem amigos gays e que eles também são fiéis, honestos, etc. E outras disseram que não tem preconceito, que seus maquiadores e cabelereiros são gays e, alguns deles, são até seus amigos.

E essa foi a minha cara.

Nem vou falar sobre o tanto de preconceito que está implícito quando você diz que tem amigos gays, mas vou falar sobre a amizade e dividir as minhas experiências. Ou pelo menos tentar me conter no assunto.

Como nasce uma amizade

Uma amizade pode nascer de diversas formas: pela convivência, pelas ideias, etc. Mas as mais inusitadas são as melhores para mim.

Na minha semana dos bichos nas faculdade, lá estava eu, um calouro nerd e tímido (para não dizer anti social) no meio de um monte de calouros e veteranos. A filha de uma amiga da minha mãe estudava lá e me deu carona para ir para a faculdade. Um dia, ela apareceu a tarde perguntando se eu queria carona para voltar e eu estava sentado do lado de uma japonesa e a filha da amiga da minha mãe berrou o nome dela, dizendo quanto tempo não a via, etc. Depois me apresentou e falou que eu morava perto dela e que ela deveria me dar carona. Eu, que era tímido, queria cavar um buraco no concreto e desaparecer de lá. Mas para a minha surpresa, a japonesa (que depois descobri que era mestiça) disse que seria legal e que seria mais seguro para ela. Acabamos trocando telefone e combinamos no dia seguinte de irmos juntos. Naquele mesmo dia, na volta, passei um perrengue com a filha da amiga da minha mãe. O carro dela ficou preso no alagamento e ficamos lá parado no meio da chuva e voltamos de guincho. Um momento que poderia fortalecer uma amizade, não foi nada de mais. E acabamos nos afastando. Enquanto isso, eu e a mestiça começamos a nos aproximar cada vez mais, a ponto de nos chamarmos de irmãos.

E, a minha favorita, foi na primeira semana de aula na faculdade, lá estava eu meio perdido e fazendo as atividades quando a moça (me perdoe que estou pobre de vocabulário…rs) que estava na minha frente me chamou e com um sorriso perguntou: você é bissexual? Diante da pergunta repentina, eu não consegui responder nada mais do que a verdade: não. Ela sorriu de novo e voltou para as atividades e eu fiz o mesmo. Daí eu não me lembro se foi depois  de cinco minutos, meia hora, duas horas ou no dia seguinte, eu e ela estávamos grudados como gêmeos siameses. Não me lembro porque parecia que nos conhecíamos há muito tempo como se fossemos gêmeos siameses, indeed.

Como foi assumir para meus melhores amigos

Claro que assumir sempre é um grande passo, pois você vai se expor. E sabemos que, no mundo em que vivemos, você pode perder uma grande amizade por causas estúpidas. Quando eu respondi negativamente à pergunta se eu era bissexual, no segundo seguinte, ficou totalmente implícito que eu era gay. Foi apenas uma troca de olhar e uma troca de sorriso para ela entender que eu era gay e para eu entender que ela sabia. Para uma amizade nascer dessa forma só pode significar uma coisa: é a mais especial de todas e não há nenhuma igual.

Mas e se uma amizade que cresce de forma especial for ameaçada por crenças e ideais? Bem, ainda na faculdade, eu fiz amizade com um rapaz que, sinceramente, não lembro como começamos a conversar, pois quando começamos parecia que nos conhecíamos há tempos. A afinidade foi tão imediata que parecia que éramos amigos que não nos víamos há tempos. Mas depois de um tempo, eu não me sentia bem porque eu escondia uma coisa dele: que eu era gay. E ele era/é um cara religioso que ia na igreja aos domingos, que leu e estudou a Bíblia, etc. Eu não tinha a mínima ideia de como seria a reação dele. Mas enfim, depois de muito pensar e criar muita coragem, resolvi contar para ele. Chamei-o num canto e dei voltas e voltas na conversa, tentando criar mais coragem e ele insistindo em saber o que era e então, suspirei e soltei a famosa frase: eu sou gay. Ele parou e ficou me olhando. E sinceros como somos um com o outro e que sabemos que podemos falar o que quisermos para outro, ele disse que precisava de um tempo para digerir a informação. Claro que fiquei devastado com aquela notícia e tinha a certeza que a religião predominaria sobre a amizade. Não passou nem um dia e ele me procurou dizendo que ele estava feliz que tinha contado para ele e que se eu tinha contado é porque ele era especial para mim (e ainda é) e que nada poderia mudar o sentimento de amizade que foi verdadeiro e honesto desde o começo. E naquele dia, para duas pessoas, dois estereótipos foram derrubados, o de ser gay e o de ser religioso.

Para outras amigas, a saída do armário teve reações de desde o “que legal” até o “só isso?”. Claro que esse último parece ser um pouco rude, mas mostra que para a pessoa aquilo não é importante a ponto de ter que fazer um circo para ser contado. E foi assim que eu aprendi que ser gay é como dizer que usa lentes de contato. Para quem preza a amizade, a informação não muda em nada o sentimento.

Como as amizades acabam

As amizades podem acabar depois de brigas e picuinhas, ou simplesmente, as pessoas se afastam porque os interesse mudam e cada uma vai seguir seu objetivo de vida. Alguns estudos dizem que mudamos de amizades a cada sete anos. De qualquer forma, muitas amizades vêm e vão. Mas algumas continuam.

Por que algumas amizades duram?

Elas duram porque são especiais. Uma amizade verdadeira não tem raça, gênero, religião ou sexualidade.

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2 comentários sobre “Um pensamento sobre a amizade.

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