Submetendo-se aos estereótipos

Vivemos numa sociedade na qual somos pressionados a nos encaixar em algum estereótipo que ela determina. Quando não nos encaixamos perfeitamente, somos vistos com surpresa aos olhos dos outros. E quando não somos o que as outras pessoas imaginam, temos que ouvir pérolas como: “Nossa, nem parece!”, “Mas você não tem jeito”.

Eu era uma criança nerd. Adorava a escola, adorava fazer lição de casa e chorava porque eu queria ir para escola. Sempre estudava, tirava boas notas e a minha mãe nem precisava dizer nada. Claro que tudo poderia ser diferente se eu não fosse japonês. Afinal, esse é o estereótipo esperado de um japonês: inteligente e esforçado. E foi assim até o final do colégio. E como esperado entrei na faculdade esperada.

Quando comecei a perceber minha sexualidade, nada do meu estereótipo japonês mudou até eu começar a entrar em salas de bate-papo e sites de encontro. Ao saber que eu era japonês, vários caras vinham puxar papo e logo descobri que eles estavam lá por um motivo: o fetiche de ficar com um japonês. E a principal pergunta feita era: você é lisinho? E eu não sou lisinho. Não me encaixo no perfil físico perpetuado pela pornografia e erotismo.

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Os meus olhos puxados não eram suficientes para alguns. Eles queriam um japonês liso, liso, liso. E fui dispensado várias vezes por não me encaixar no tipo físico que povoava a fantasia dessas pessoas. E já que eu não era lisinho, decidi me tornar lisinho para dar o que as outras pessoas queriam. Me depilei inteiro e fiquei lisinho. Até o dia seguinte quando os pêlos começaram a nascer novamente e encravar. E ao invês de me tornar liso, me tornei uma lixa. E comecei a me perguntar: de quanto em quanto tempo eu teria que me depilar? E se eu arranjasse alguém, eu teria que me depilar toda vez que eu fosse encontrar com o cara? Ou deveria fazer depilação definitiva?

Muitas perguntas e muitos esforços para eu me adequar ao gosto popular, então a ficha caiu. Eu não deveria mudar o jeito que eu sou. Poderia demorar, mas a pessoa certa iria gostar de mim com pêlos ou sem pêlos. Ou melhor, iria além da simples aparência física. Então deixei meus pêlos crescerem novamente e cultivar uma barba. E ter orgulho dela. E quando os caras perguntavam se eu era lisinho, eu falava que não. Muitos sumiam nessa hora, outros tentavam um contato tête-à-tête, mas não iam além disso.

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Então desencanei de tentar mudar como eu era. Não iria mais bancar o japonês tímido e recatado. Muitos menos, o japonês lisinho. Eu simplesmente não era assim. E se você conquistar alguém sendo outra pessoa, por quanto tempo você conseguirá manter essa mentira?

Tentei me submeter ao estereótipo, mas não consegui me encaixar e não me sentia bem tentando ser outra pessoa. E daí veio a lição: ser eu mesmo sempre. Muitas pessoas não vão gostar de você por causa disso, mas, pode ter certeza, que a pessoas que gostarem de você são verdadeiras.

E você? Tenta mudar o seu jeito de ser para as pessoas gostarem de você?

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