O amor pode levar de volta ao armário? (Uma outra visão sob A Gaiola das Loucas)

Outro dia, assisti pela enésima vez A Gaiola das Loucas (The Birdcage), embora eu esteja com muita vontade de rever o La Cage Aux Folles.

Baseado no musical de mesmo nome, conta a história dos donos do Birdcage que se veem envolvidos na confusão quando seu filho decide se casar com a filha de um político conservador. Muitas situações hilárias, muitas risadas e no final todo dá certo.

Enfim, mas não estamos aqui para dar spoilers ou falar sobre as atuações de Robin Williams ou Nathan Lane, mas sim no pedido que o filho faz para o seu pai biológico (Williams) que mora com seu parceiro (Lane), donos do Birdcage: ele pede para que o pai se passe por um hetero, chame a mãe biológica que há muito não vê e faça com que Lane, seu parceiro, suma por um dia da casa. Tudo para agradar e convencer que a família é tão conservadora quanto a família de sua noiva.

Williams não aceita a proposta de imediato dizendo que não voltaria ao armário só para agradar a família de sua provável futura nora, mas depois cede por seu filho. E aí entram as situações cômicas que permeiam o filme até o seu final. Porém…

Embora seu filho dissesse que seria somente naquela noite durante o jantar para as famílias se conhecerem, eu fiquei me perguntando se seria somente essa vez mesmo? E quanto ao casamento? O parceiro se passaria por um tio ou um amigo? E outras comemorações entre família como Natal, Dia de Ação de Graças (no caso dos EUA), o “tio” estaria lá novamente? A constante presença do amigo não levantaria alguma especulação? Ou será que após aquele jantar, a família do noivo simplesmente estaria sempre “ocupada” demais para aparecer em eventos familiares?

Cheio de perguntas, eu me senti violado com o pedido do filho. Não sou pai e nem sei se posso comparar a relação paterna com uma relação de um grande amigo ou de irmãos, mas eu não me sentiria bem com alguém que eu amo pedindo para eu não ser eu, como se ela tivesse vergonha de mim. Será que existe amor forte o suficiente (ou valoroso o suficiente) para voltar para o armário?

Assisti o filme até o final, porém o ar de decepção continuou. E as fichas começaram a cair: dois heteros interpretando gays fingindo ser héteros e desfilando mil e uma maneiras de como se comportar para permanecer dentro do armário. Foi triste enxergar a verdade por trás de todas as situações cômicas.

E o final ainda é mais surpreendente e mais decepcionante, pois a lição aprendida é que sendo uma outra pessoa, você pode escapar de situações que podem ser comprometedoras.

Enfim, A Gaiola das Loucas era um filme preferido, mas assisti-lo sem o efeito das risadas e situações cômicas, torna-se um filme sombrio onde as pessoas fingem ser outras e ainda se dão bem. Em nome do amor, os gays devem voltar ao armário (ou nem sair).

Uma comédia que, hoje, me deixa triste.

Você já teve que voltar ao armário ou nem sair por causa de alguém?

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s