Assumir ou não assumir…

Assistindo ao documentário sobre o jogador de rugby britânico, Gareth Thomas, que foi o primeiro jogador de rugby a se assumir, fez a minha cabeça pipocar de questões. As questões dele sobre a sexualidade, a repressão, o medo de assumir e de que as pessoas e seus colegas de time o tratassem diferente etc. São muitas questões para apenas um post, então aqui vai a primeira parte.

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Gareth Thomas, o primeiro jogador de rugby a se assumir.

Assumindo

Antes de assumir para seus amigos e familiares, você tem que assumir para você mesmo. Você tem que estar confortável com você, saber que você não é nenhuma aberração e que você não é pior por ser gay. Se você é uma pessoa de boa índole, você vai continuar sendo assim. Se você é um canalha, você também vai continuar sendo assim. Ser gay não vai mudar quem você é. 

Cada um tem o seu tempo para assumir para as pessoas. Ninguém deve forçar ou exigir que você se assuma. Você é quem vai decidir quando assumir e para quem assumir. O momento é seu e apenas seu.

Mas será que as pessoas para quem você assumir vão te tratar diferente? Essa é uma pergunta difícil, cada pessoa é única. Algumas vezes podemos ter surpresas agradáveis como quando alguém que você acha que é homofóbico, na verdade, não é. E, é claro, podemos ter surpresas muitos desagradáveis como quando seu melhor amigo deixa de falar com você porque você é gay. Mas o ser humano é uma caixinha de surpresas, e por isso, você tem que estar preparado para as mais diversas reações das pessoas quando você se assumir.

Contar pela primeira vez para uma pessoa pode ser difícil porque você não sabe qual será a reação da pessoa e fica aquele medo de ela nunca mais falar com você. Mas saiba que depois, fica cada vez mais fácil. Parece que quando você conta, o peso de tentar esconder vai desaparecendo. E não tenha medo de pedir apoio para aqueles que já sabem, seja discutindo quem será o próximo a saber ou indo junto quando você for contar.

Como eu sou uma pessoa introvertida, eu diria para você contar para uma pessoa (no máximo, duas) de cada vez. Afinal, você está dando uma nova informação sobre você e, às vezes, é preciso de tempo para digerir a informação ou ela até pode querer fazer perguntas para você. Imagine você numa coletiva de imprensa com seus amigos querendo saber mais. 

E por último, mas não menos importante, quando você decide contar para alguém, você está dando um voto de confiança para a pessoa. E se ela perceber o quanto isso é importante e quão ela é importante para você é algo que só pode fortalecer a amizade.

Essa é a minha história.

Eu me lembro que, quando eu era criança, ver o corpo masculino causava mais reações em mim do que o corpo feminino, mas eu não entendia muito bem o porquê daquilo e nem achava estranho. Na adolescência e com a sexualidade latente, eu percebi que preferia o corpo masculino ao feminino, mas eu não me lembro de nenhum momento, eu pensar “Caramba, eu sou gay!”. Eu era eu e gostava do corpo masculino. Fiquei com algumas meninas, mas não havia sentimento algum. E sempre que alguma delas tentava engatar um namoro, eu terminava porque eu não me sentia bem, sabendo que aquilo não teria futuro.

Acho que a visão de ser diferente veio com os problemas de relacionamento do primeiro namorado. Eu não tinha com quem me abrir e comecei a pensar o que meus amigos iriam pensar quando eu dissesse que eu estava tendo problemas de relacionamento com um cara, afinal, todos eles compartilhavam os seus problemas de relacionamento com as namoradas. Então, veio a primeira necessidade de me assumir para alguém. E sai do armário para o meu melhor amigo no colégio que estava tendo problemas de relacionamento parecidos, mas com sua namorada.

Durante a faculdade, as amizades surgiram e se fortaleceram. A primeira saída, como já contei aqui, foi quando minha melhor amiga perguntou se eu era bissexual e eu respondi que não. E ficou por isso. Ela entendeu que eu era gay e eu entendi que ela sabia. Quer amizade melhor do que essa? Com o passar dos anos, eu comecei a me sentir mal porque os meus amigos se abriam comigo, eram sinceros, falavam de suas qualidades e defeitos e eu não era 100% honesto com eles. Quando perguntavam se eu namorava ou não, quando íamos para a balada juntos, eu desconversava e dizia que não queria namorar e não gostava de balada. Mentira! Eu queria namorar um cara e ia para balada todo final de semana. Então, com a ajuda das pessoas que já sabiam, eu tentava prever as reações das pessoas que não sabiam quando eu contasse. E era um ritual para contar. Tínhamos um local na faculdade e parecia mesmo um ritual de passagem. E nenhum dos meus amigos começou a me tratar diferente. A informação nova que eles tinham não mudava em nada a pessoa que eles conheciam. E foi assim que aprendi que ser gay era como ter olhos azuis e castanhos. Isso não muda quem é a pessoa.

E qual a sua história? Conte para a gente como você se assumiu. 

E aproveite e vote na nossa enquete. É simples e rápido. E indolor…hehehe

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2 comentários sobre “Assumir ou não assumir…

  1. Parabéns. Gostei muito do post. Estou numa situação parecida como que você estava: com a descoberta da minha homossexualidade, está ficando cada vez mais difícil escondê-la. Acredito que algumas pessoas já perceberam, mas esperam a minha confirmação. Obrigado pelo post. Me ajudou a pensar muito nessa questão.

    Rodrigo

    1. Oi Rodrigo,

      Fico feliz que tenha gostado. Acho que quando a gente gosta das pessoas que nos rodeiam, a gente quer ser o mais sincero possível e esconder uma parte de você, às vezes, parece que estamos enganando-as.

      Estou aqui na torcida 😉

      Obrigado pela visita.

      Um grande abraço,

      Ed

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