Gays & Esportes – World Cup Edition

A Copa acabou. A Alemanha é tetracampeã mundial. Mas isso é apenas uma desculpa minha para falar sobre o nadador olímpico Ian Thorpe e ser gay nos esportes. Já falei sobre isso na época das Olimpíadas de 2012, mas acredito que o assunto ainda é pertinente e merece ser postado nesse blog novamente.

Mas quem é Ian Thorpe?

Ele é nadador olímpico australiano, dono de cinco medalhas de ouro e nessa semana se assumiu durante uma entrevista para a tevê australiana. Quando questionado sobre porque ele negava os rumores de ser gay, ele disse que “sentia que a mentira tinha se tornado tão grande que ele não queria que as pessoas questionassem a sua integridade” e “não queria que as pessoas pensassem que tudo sobre ele fosse uma mentira” e acrescentou: “uma parte de mim não sabia se a Austrália queria que o seu campeão fosse gay”. E finalmente, quando questionado se ele se arrependia da decisão de esperar para assumir, ele disse que “estava um pouco envergonhado de não ter se assumido antes, de não ter tido força para fazer nem coragem para acabar com aquela mentira”.

946550-ian-thorpe

E qual a importância do Ian Thorpe se assumir?

Talvez você pense assim: “Quem é esse tal de Thorpe? Minha vida continua a mesma ele sendo gay ou não!”. Sim. E você tem toda razão. Eu não sou fã dele nem do esporte que ele pratica. E você pode me perguntar: “Por que você está perdendo tempo escrevendo sobre ele, então?”. Simplesmente porque Thorpe saindo do armário, novamente as questões sobre ser/ter gays nos esportes podem ser levantadas.

Claro que é uma grande conquista, um atleta de ouro olímpico se assumir, mas algo me incomoda nesse fato. Embora haja uma equipe na natação, geralmente, o esporte é individual, ou seja, a vitória ou a derrota depende apenas de um atleta dentro da piscina. E se fosse um esporte no qual a vitória ou a derrota depende da integridade de uma equipe? Ser gay atrapalharia essa integridade? O mesmo pensamento veio quando o lindo e fofo Tom Daley assumiu estar namorando um homem publicamente. O salto ornamental é um esporte individual. A mesma coisa vale para o lutador de box Orlando Cruz que se assumiu depois de uma luta.

E onde a Copa do Mundo entra nessa história?

Bem, tudo esse questionamento veio quando vi a comemoração do time alemão ao ganhar a final da Copa.

Crédito: AFP PHOTO / PATRIK STOLLARZ
Crédito: AFP PHOTO / PATRIK STOLLARZ

Os jogadores alemães, Schweinsteiger e Poldoski, ameaçaram dar um selinho na comemoração. Para minha decepção, o selinho não aconteceu e foi em tom de brincadeira em comemoração da vitória. Mas nem por isso, deixou de rolar um beijo entre os jogadores (na bochecha mesmo, mas isso não acaba com a fantasia, né?).

10491989_936962382981745_8965741214266279730_n

Embora haja uma fantasia da minha parte, eu sei (e meu gaydar também sabe) que eles não são gays. Mas quantos das centenas de jogadores de futebol que existem no mundo são gays? Na ativa, não temos nenhum (que eu saiba). Aposentados do esporte, temos alguns, por exemplo, o ex-jogador da seleção alemã que se assumiu no começo desse ano, Thomas Hitzlsperger. E vem novamente a minha pergunta de sempre: por que não há jogadores de futebol assumido e ainda na ativa? Será que o futebol é tão homofóbico que se assumir faria com que o atleta fosse expulso ou deixado de lado no time? Provavelmente, a resposta é sim.

E como todos sabemos, em um esporte tão machista, não há lugar para gays. E junte-se a isso, todas as propostas de marketing que o atleta gay não receberia porque a marca não quer se associar a um atleta gay, e não importa o quão bom e genial seja o atleta. Em um esporte machista, um gay também não vende produtos para héteros e os patrocinadores não estariam correndo atrás dele. Claro que no mundo em que vivemos, você pode dizer que haveria sim algum patrocinador. Mas na minha paranóia, o patrocinador estaria realmente patrocinando o atleta ou se aproveitando para fazer a marca dele gay-friendly?

3465294117-selinho-de-podolski-e-schweinsteiger-faz-sucesso-nas-redes-sociais
Um pouquinho mais de Schweinsteiger e Poldoski…

No outro post, eu falei sobre ser gay em uma equipe, até onde os outros atletas se sentiriam incomodados em ficar nús na frente de um companheiro deles sabendo que é gay. Claro que tudo isso é uma grande bobagem. Um atleta de verdade está lá para competir pelo time e não ficar azarando os outros no vestiário. E se um atleta fizer isso, acho que não dá para chamar de atleta, certo?

Estou esperando um dia que teremos jogadores de futebol assumidos disputando uma Copa do Mundo, mostrando em seus Instagram’s e Twitter’s os namorados, amigos e família. Quem sabe algum dia…

Será que é preciso esperar muito?

Talvez não. Com a velocidade com que atleta se assumem hoje em dia, talvez logo, logo surja um jogador de futebol na ativa se assumindo. Não é a mesma coisa, mas nos Estados Unidos, o jogador de basquete da NBA, Jason Collins,  e o jogador de futebol americano, Michael Sam, já saíram do armário, continuam na ativa e não foram discriminados por sua orientação sexual e colocados na reserva forever & ever.

E quem sabe um dia, veremos um selinho durante a comemoração da vitória da Copa do Mundo.

tumblr_n8o7hhcWvo1tf6z53o1_500

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s